Fito teus olhos fechados enquanto você dança. Eu, que fechei os meus para te ver aqui do longe. Antes do sorriso há algo na fisionomia que é leve. Te vejo branca e leve assim. É como quando se olha um pássaro que é livre: tão leve voa. Aqui dentro de mim há toda essa projeção da tua leveza que é pura e dança. Aprendi a me render ao silêncio como quem se rende a música. Os fios finos de garoa me vestem. Percebo que antes tua ausência era invisível, antes de te saber existir. Agora ela é sempre tão presente. É uma surpresa agradável essa do nascimento de sua ausência. O corpo à espera do abraço. Te vejo ensimesmada no rodopio da música. Pensa em mim? Não. Me sente, pois sei que nasci ausência. Eis que me vêm assim e assim te vou: já estamos um no outro antes da palavra saber que entramos. Te sinto.
Te sinto e na chuva lhe espero.